segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O "memorial"de Blaise Pascal


Numa noite o matemático e filósofo francês Blaise Pascal teve uma experiência marcante, que veio registrar num pedaço de papel. Este "memorial" manteve costurado em sua roupa, de onde o seu empregado somente o retirou após a sua morte.
________________________________No ano da graça de 1654. Segunda-feira, 23 de Novembro, dia de são Clemente, papa e mártir, e de outros no martirológio. Vigília de são Crisógono mártir e de outros. De cerca das dez e meia da noite até cerca de meia-noite e meia. Fogo!"Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó" e não dos filósofos e dos sábios. Certeza, certeza, sentimento, alegria, paz. Deus de Jesus Cristo. Deum meum et Deum vestrum. "O teu Deus será o meu Deus." Esquecimento do mundo e de tudo, à exceção de Deus. Que só se encontra pelos caminhos mostrados pelo Evangelho. Grandeza da alma humana. "Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci." Alegria, alegria, alegria, prantos de alegria.Mas eu me separara. Dereliquerunt me fontem aquae vivae. "Deus meu, me abandonarias?" Que eu nunca mais me separe dele, eternamente. "Esta é a vida eterna: que te reconheçam como o único Deus verdadeiro e aquele que enviaste, Jesus Cristo." Jesus Cristo, Jesus Cristo. Eu me separara: o afastei, reneguei e crucifiquei. Que nunca mais me separe dele. Que só se conserva pelos caminhos mostrados pelo Evangelho. Renúncia total e doce. Completa submissão a Jesus Cristo e ao meu diretor. A alegria eterna por um dia de prova sobre a terra. Non obliviscar sermones tuo. Amem.______________________________Extraído de Giovanni Reale - Dario Antiseri, História da Filosofia (São Paulo, Editora Paulus, 8a.ed., 2007) vol.2, págs. 600-601.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O ENSINO RELIGIOSO NO BRASIL: DA CATEQUIZAÇÃO CATÓLICA AOS DESAFIOS DA PLURALIDADE RELIGIOSA



Fanuel Santos[1]

Pedro Augusto Furasté[2]

Faculdade Salesiana Dom Bosco. E-mail: fsdb.edu.br

INTRODUÇÃO

O estudo sobre o ensino religioso no Brasil é algo complexo e desafiador, quer seja pelas dimensões continentais do Brasil, quer seja pela a heterogeneidade religiosa do povo tupiniquim. Entretanto nos últimos anos o ER (ensino religioso) tem sido alvo de constantes debates em vários níveis da sociedade, mormente pela a laicidade do estado e pelo aumento vertiginoso de grupos religiosos que se reinventam constantemente,O presente artigo fará uma abordagem do ensino religioso antes e depois da promulgação da lei de diretrizes e bases, quando o ensino religioso ganha status de disciplina com horários e normas estabelecidas, e abrira a discussão sobre a valorização da pluralidade religiosa na construção de uma sociedade mais e humana e fraterna. Longe de defender uma bandeira confessional em sala de aula, acreditamos na validade e eficácia da educação religiosa como forma de construir um conhecimento humano integral não fragmentado em quirelas reducionistas, como fora comum no auge do iluminismo.

PALAVRAS – CHAVES. Ensino Religioso, Educação, complexidade, pluralismo religioso.

METODOLOGIA

As diretrizes metodológicas na redação do Artigo foram orientadas por técnicas adequadas ao caráter cientifico da pesquisa, publicações, jornais, revistas, livro e internet. Os dados coletados foram submetidos ao método dedutivo, para formulação dos argumentos e de conclusões mais abrangentes a partir do tema delimitado. O trabalho fora submetido à revisão e sugestões do professor-orientador, sendo então realizado as correções necessárias a redação final do texto.

Analise dos Resultados

Não existe uma normatização para formação docente em Ensino Religioso, embora o mesmo seja considerado uma área do conhecimento escolar, ficando não mais a mercê de resoluções eclesiais como assegura a nova LDB. O ensino religioso esta assegurado por lei de forma laica em seus parâmetros legais, ficando vedado as práticas proselitistas em salas de aula. O ensino religioso atualmente é obrigatório para as escolas, mas facultativos para os alunos, e deve respeitar a diversidade cultural e religiosa da população brasileira, e abrindo espaço para o diálogo para sociedade civil.

Considerações Finais.

Apesar dos impasses e da falta de uma normatização para formação docente, que tanto atormenta os militantes no ensino religioso; acreditamos que o ER é viável na sociedade contemporânea altamente em transformação. A escola não pode se privar de falar sobre a religiosidade sadia, assim como enfatizar o direito inalienável de cada aluno em levantar a bandeira da sua confissão religiosa. O Ensino Religioso não tem a intenção de ensinar uma religião especifica, e nem promover debates entre formas de vivenciar a religiosidade, sua intenção é agregar saberes sobre todas as confissões religiosas, destacando os valores universais e éticos que subjazem em todas as religiões

Referências

BRANDENBURG, Laude Erandi. Epistemologia do Ensino religioso e a prática escolar. São Leopoldo. Editora EST, 2010.

CASSEB, Samir Araújo. Ensino Religioso: Legislação e seus Desdobramentos nas Salas de Aula do Brasil. Fórum mundial de teologia e libertação. Belém. 2009.

PASSOS, João Décio. Ensino Religioso: construção de uma proposta. São Paulo: Paulinas, 2007

KLEIN, Remí. Curso de extensão em ensino religioso. Fundamentos históricos e legais do ensino religioso. São Leopoldo. Editora EST, 2010.

SANCHEZ, Wagner Lopes. Pluralismo Religioso: as religiões no mundo atual. São Paulo: Paulinas, 2005.



[1] Bacharel em teologia, professor de sociologia da religião, e religiões mundiais.

[2] Especialista em Língua Portuguesa e Metodologia Científica. Professor do Curso de Pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior da Faculdade Salesiana Dom Bosco.

domingo, 31 de julho de 2011

Cordel do Crente.


De férias em Fortaleza em visita ao mercado central, tive contato com a literatura de cordel, um poema popular que relata vários aspectos da vida e sabedoria dos nordestinos, em grande maioria do sertanejo que para sobreviver as desditas da vida; valem-se de várias peripécias cômicas e trágicas. Então senti me desafiado a compor um texto em forma de cordel. veja-o na integra.


Viver a vida ao lado de jesus
nem sempre é bonança
mais ao pés da cruz
encontro sempre esperança.
Um alivio sereno
que posso encontrar
aos pés do nazareno vou
sempre me entregar.

Sou Crente sim! e disso não me envergonho
com a Bíblia em punho o evangelho exponho
Nos becos e vielas ando sempre a evangelizar
sabendo que um dia no céu irei chegar.

Termino esse cordel com um riso no canto da boca
me chamo Fanuel e teologizo nessa vida louca.
Sei que nesse labor não vou me locupletar
mais tenha certeza muitas risadas ei de dar.

Oxente! Eu sou Crente!



Pr. Fanuel Santos,

Inverno de 2011

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Só porque sabe que eu sou crente.


Só porque você sabe que eu sou cristão
Que vou sempre à igreja
Não precisa me olhar desse jeito
Eu nem perguntei sua religião, não me interessa
Seja ela qual for eu te respeito

Igualzinho a você eu acordo de manhã
Pego um trem lotado e às vezes vou na van
Gosto de guaraná, de pipoca, gosto de maçã
E quando eu me machuco eu uso Cataflan

O que eu quero é também o que você quer
Amor e um bom emprego
Fazer um churrasco pra juntar minha galera
No fim de semana me divertir, dar muita risada
Ter uma conversa boa, calma e sincera
Se você ficar blue e quiser chorar
Te dou meu abraço
Vou te dar uma bíblia e só peço que você leia, leia,
leia
Você vai perceber entre você e eu
Muita coisa em comum
Eu só não suporto o que vem do meia, meia, meia.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Amigos..


Amigos são jóias outorgadas por Deus para minimizar as agruras da vida, e quando passamos tempo sem vê-los anseiamos por um momento de estarmos ao seu lado; agora sei porque JESUS chamou os seus Talmidin de amigos (Filos). De férias em fortaleza, a terra do sol inebriado por tantas belezas como diz a minha esposa “Fascinado pelo rasto do SAGRADO”, havido por ver praias, monumentos históricos, a minha manhã despertou de forma diferente, eu iria ver um velho amigo de seminário companheiro de reflexões em noites insones regados a esfirra de frango. O lugar mais do que apropriado, uma livraria fantástica com um excelente café e pão de queijo, nada comparado com os tempos em comiamos em uma modesta padaria nos subúrbios de Pindamonhangaba, e sonhávamos em ser alguém. Olhando para o meu amigo notei que o tempo muda as nossas feições mais nunca as nossas afeições. Coube a providência me presentear de um momento único, ao saber que o novo amigo Wallison seria Pai. “Filhos são heranças do Senhor...feliz o homem que enche deles a sua aljava” Assim é a vida, amigos que revemos, amigos que conhecemos e a vida que se renova em uma criança que vem ao mundo trazendo a alegria e mostrando que o criador não desiste de nós. Parabéns para o novo Papai.

Fortaleza, inverno de 2011.

Pr. Fanuel Santos.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sobre pastores e lobos


Pastores e lobos tem algo em comum: ambos se interessam e gostam de ovelhas, e vivem perto delas. Assim, muitas vezes, pastores e lobos nos deixam confusos para saber quem é quem. No entanto, não é difícil distinguir entre
um e outro. Veja:


Pastores buscam o bem das ovelhas, lobos buscam os bens das ovelhas.


Pastores vivem à sombra da cruz, lobos vivem à sombra de holofotes.


Pastores têm fraquezas, lobos são poderosos.


Pastores são ensináveis, lobos são donos da verdade.


Pastores têm amigos, lobos têm admiradores.


Pastores vivem de salários, lobos enriquecem.


Pastores
vivem para suas ovelhas, lobos se abastecem das ovelhas.


Pastores apontam para Cristo, lobos apontam para si mesmos e para a igreja deles.


Pastores
são pessoas humanas reais, lobos são personagens religiosos caricatos.


Pastores
ajudam as ovelhas a se tornarem adultas, lobos perpetuam a infantilização das ovelhas.


Pastores são simples e comuns, lobos são vaidosos e especiais.


Pastores se deixam conhecer, lobos se distanciam e ninguém chega perto.


Pastores
alimentam as ovelhas, lobos se alimentam das ovelhas.


Pastores lidam com a complexidade da vida sem respostas prontas, lobos lidam com técnicas pragmáticas com jargão religioso.


Pastores
vivem uma fé encarnada, lobos vivem uma fé espiritualizada.


Pastores se comprometem com o projeto do Reino, lobos têm projetos pessoais.


Pastores são transparentes, lobos têm agendas secretas.


Pastores dirigem igrejas-comunidades, lobos dirigem igrejas-empresas.


Pastores pastoreiam as ovelhas, lobos seduzem as ovelhas.


Pastores buscam a discrição, lobos se autopromovem.


Pastores se interessam pelo crescimento das ovelhas, lobos se interessam pelo crescimento das ofertas.


Pastores ajudam as ovelhas a seguir livremente a Cristo, lobos geram ovelhas dependentes e seguidoras deles.


Pastores constroem vínculos de amizade, lobos aprisionam em vínculos de dependência.

sábado, 25 de junho de 2011

A sacralidade do lúdico.


Seu nome é Maria Eduarda Santos, chamada pelos amigos e familiares carinhosamente de Duda; ela tem cinco anos. Seus pais freqüentam uma igreja da Assembléia de Deus na cidade de Manaus. Como qualquer criança dessa idade é tagarela e tem uma capacidade enorme de perder a concentração nas respostas. Perguntei a ela quem era Deus, ela responde que Deus era o papai do céu. Tudo bem! Perguntei quem foi que disse para ela que papai do céu existia. Duda diz que foi a sua mamãe e o seu papai que disseram para ela. –“Você quer que eu cante a musica do papai do céu?” disse ela com um sorriso no rosto. Respondo:- Sim! Ela canta uma musica aprendida na escola dominical. Duda, diz que papai do céu não gosta de menina mal criada, e nem de menina que assiste desenho de “bicho feio”. Como é o papai do céu Duda?

– Papai do céu é bonzinho, ele gosta de mim, ele também gosta da Alice. (irmã). Pergunto a Duda onde é a casa do papai do céu, ela me diz que ele mora no céu, um lugar muito bonito. Pergunto como é a figura de Deus, ou com ele se parece. Ela diz que é um homem gigante de tez clara, com roupas bem brancas sentando em uma cadeira de ouro que parece com um sabonete, bem lisinho. Não contive as risadas ao ouvir minha nobre entrevistada descrever a “cadeira” de Deus como um sabonete bem lizinho.

O fantástico de tudo isso, é que mesmo pequena Duda já consegue conceber o transcendente, ela me diz que um dia ela ira morar com o papai do céu. Pelo que pude notar a figura de Deus no pequeno mundo de Duda é antropomórfica e antropopática; Deus tem sentimentos, e se entristece com os erros dos humanos e fica com raiva de meninos peraltas.